No início dos anos 90, fui dar continuidade de forma mais intensa ao que sempre fez parte da minha natureza: a própria natureza. Saturado da cidade, passei a buscar o interior. Meu próprio interior, através do interior do meu estado: do meu estado Rio Grande do Norte, do meu estado de espírito.

Sempre acompanhado de minha esposa Joane – na época minha namorada e estudante de Geografia, pesquisadora do CNPQ, hoje gerente da Pousada Costa Branca – , passamos a desbravar com devoção o litoral potiguar “mais distante” da capital Natal. O litoral norte potiguar sempre nos atraiu de maneira mais especial, mais espAcial. Nessa época já tinha trocado o carro convencional – um Gol ano 1984 - , pelo valente jipe russo Lada Niva.

A partir daí, outros jipes vieram até o sonho realizado do mito Land Rover. A partir daí muitas praias também vieram, até o “nocaute à primeira vista” que foi Ponta do Mel e a região da Costa Branca, no litoral oeste potiguar – região de fronteira com o estado do Ceará.

Paralelamente meu irmão mais velho (o advogado João Hélder Dantas Cavalcanti) me convidou para montarmos um negócio juntos. E como se “tudo conspirasse ao nosso favor”, descobrimos que estávamos pensando no mesmo negocio: o ócio como negócio – o neg-ÓCIO criativo através do ECOTURISMO.

O espírito empreendedor do meu irmão tomou conta de mim. A paixão fulminante por Ponta do Mel somada a uma visão empreendedora e a um certo poder místico anunciou: a bela praia de Ponta do Mel magicamente parecia pedir um hotel de charme, um projeto com preocupações ecológicas, sociais e culturais. No encontro do sertão com o mar, a região mais fascinante e inexplorada do nosso estado elevou nosso estado de espírito. Mais de 30 % do litoral do RN estava sem nenhuma infra-estrutura significativa ou planejada. Decidimos então fazer tudo da forma mais profissional possível.